Na semana passada, durante uma consulta de rotina, recebi o presente de ouvir mais uma daquelas histórias que merecem ser compartilhadas. No início de 2020, um paciente jovem esteve internado com a nossa equipe de neurologia devido a um grave AVC. Em questão de minutos, este AVC o deixou acamado e sem conseguir falar...
Após 480 dias de dedicação do paciente, da permanência da esposa e do trabalho da equipe multiprofissional, o sr A. fez questão de entrar caminhando sem apoio na consulta. Entrou marchando e sorrindo, ainda com dificuldade na linguagem e na comunicação (afasia), mas trazendo uma história para me contar.
No domingo do Dia das Mães, a esposa foi acordada com a campainha. Era uma cesta de café da manhã. Achou que fosse engano, porque perdeu uma filha recentemente e a outra filha tem atraso no desenvolvimento e é dependente de seus cuidados.
Qual não foi a sua surpresa quando soube que, mesmo sem ter recuperado a capacidade de falar, o paciente deu um jeito de ir atrás da síndica no início de maio. Se expressou com gestos, mímicas, poucas palavras, desenhos... Enfim, utilizou a comunicação possível e encomendou um presente para ela no dia das mães!
A alegria com que me contaram a novidade mostra que a comunicação POSSÍVEL foi valiosa o SUFICIENTE para falar sobre o amor.
História real registrada pela equipe do Instituto Neuron. Cada caso é único: resultados variam e a conduta é sempre definida em avaliação individual.
